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Conflitos ecológicos abordados neste projeto são descritos na perspectiva das ecologias políticas que emergem desde a América Latina. São conflitos relacionados ao processo colonial de conquista, portanto, ao mesmo tempo, aos movimentos de resistência para a defesa da vida em sentido amplo. Eles revelam a distribuição desigual, em escala global, dos processos de crescimento e desenvolvimento econômico, bem como formas de espoliação associadas ao uso, acesso e controle dos recursos naturais, ao transporte desses bens comuns ou aos rejeitos de atividades químicas e industriais. Suas cartografias buscam visibilizar movimentos de resistência contra a espoliação dos comuns, sejam naturais ou invisíveis e espirituais. Frente a esses avanços colonizadores, também se revelam processos e agentes promotores de múltiplas formas de violência contra populações indígenas. Ao mesmo tempo, o projeto visa contribuir para o intercâmbio de experiências de luta ambiental. Nesse sentido, ele dialoga com outras iniciativas em curso, no quadro dos movimentos por justiça ambiental e cartografias de injustiças ambientais, tais como EJAtlas, Rede Brasileira de Justiça Ambiental/Fiocruz, Observatório de Conflitos Ambientais em Minas (UFMG) e Atmosferas de Violência.

Os conflitos mapeados foram descritos por bolsistas indígenas e não indígenas que participam como aliados das lutas indígenas. É um processo em construção e os coordenadores, pesquisadoras e pesquisadores associados esperam que possa ter continuidade e ampliação.

Estão reunidas aqui dezenas de conflitos e desafios enfrentados por povos indígenas no Nordeste, bem como nas regiões sul e sudeste do Pará. Os casos aqui destacados têm profunda e direta relação com a posição de cada pesquisadora e pesquisador, que, de alguma maneira, vivencia ou está situado em realidades de muita proximidade com os casos pesquisados. O tipo de descrição e análise de cada contexto é informado por essa posição. Por isso, sugerimos fortemente que, além dos casos constantes no mapeamento, leiam as minibiografias das pessoas envolvidas no projeto, pois é nosso objetivo destacar não apenas os aspectos globais das situações concretas, mas o caráter situado das suas descrições.